A Psicologia na Crise Financeira
Princípios e medidas fundamentais de comportamento diante da propaganda em um ambiente de crise econômica.
O que é recomendável e o que não é diante de dúvidas quanto ao futuro de suas finanças. Com medidas simples e ponderadas pode-se minimizar, e em muito, o impacto negativo de uma crise financeira em um orçamento familiar ou em planos futuros que envolverão gastos. Porém, a chamada mídia popular (os principais jornais, revistas, rádios e tv aberta) não é uma boa conselheira em horas de apertos financeiros. Saiba o porquê.
Imaginemos alguém lhe sugerindo tomar conselhos sobre como se abster de bebidas alcoólicas, sendo que esta mesma pessoa seja uma vendedora de bebidas que contenham álcool. Parece contraditório, não? Pois é exatamente assim que a mídia em geral trata os seus leitores, ouvintes e telespectadores.
Os chamados veículos de comunicação de massa vivem, todos eles, da venda de espaço publicitário em seus jornais, rádios e tvs. Sendo assim, ainda que você possa encontrar alguns jornalistas ou comentaristas econômicos muito bem intencionados, não deixe de observar de onde eles lhe estão comunicando suas idéias. Por exemplo, pode-se ler um bom artigo de economia doméstica em alguma revista ou jornal, sendo que as páginas destes veículos de comunicação estão repletas de anúncios publicitários lhe incitando a fazer justamente aquilo o que não deve ser feito em um momento de aperto financeiro, isto é: comprar ao invés de poupar.
Não ignoramos que uma diminuição dramática no consumo tanto interno quanto externo de um país pode trazer sérios prejuízos a um panorama já não tão otimista. Todavia, não se trata aqui de frear a aquisição do que se convencionou chamar de bens de necessidade, mas sim em evitar, e a todo custo, os gastos fúteis. E os especialistas em marketing podem conseguir tornar tão atrativa a idéia de adquirir um aparelho de som novo, por exemplo, ainda que o seu esteja em bom estado, que muitos cederão à tentação e comprarão a coisa, mesmo não necessitando dela naquele momento, corroendo assim suas economias as quais bem poderiam ser usadas em aquisições de maior prioridade, ou, o que seria ainda melhor, poupar. E como já dizia um famoso personagem histórico: “Prefiro um centavo poupado do que um centavo ganho”.
O Brasil é um país emergente, e isto significa que é fortemente visado como alvo para a exportação de mercadorias por parte de várias nações, como a China, por exemplo, a maior vendedora de bugigangas inúteis e de má qualidade de que se tem notícia. Não faltarão rádios, relógios, tênis, estojos de ferramentas, brinquedos, utensílios os mais diversos e até produtos alimentícios industrializados Made in China sendo alardeadamente anunciados nos principais veículos de comunicação, e isto para dar apenas um único exemplo.
Diferentemente de países como a Alemanha ou a Noruega, apenas para citar dois exemplos de países que não são dados ao consumo de futilidades, os brasileiros são vítimas de uma cultura consumista fortemente imposta pelos interessados em vender para o Brasil. E veja se você acerta onde é que eles irão procurar lhe pescar! Se você pensou na televisão, em revistas, em rádios e em jornais, então parabéns, é exatamente esse o raciocínio!
Não se iluda acreditando que a força motriz por detrás da estrategicamente planejada confecção das páginas dos jornais esteja obedecendo a uma das leis áureas do Evangelho de Cristo, que é “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, pois não será esta lei divina que estará movendo os corações dos editores. O que lhes interessa, prioritariamente, é o lucro, e este vem através de, como já dito, da venda de espaço publicitário no mesmo lugar onde você busca alguma orientação a fim de melhor lidar com uma situação econômica muitas vezes bem mais do que simplesmente apertada.
E para piorar ainda mais a situação, o poderosíssimo marketing bancário estará lhe oferecendo o dinheiro que você não tem para comprar aquilo o que você não precisa!
E qual o resultado disto? Logo a efêmera alegria por causa da aquisição de algum rádio ou aparelho de televisão novo será logo substituída pela angustiante preocupação com dívidas.
Ora, se sua esposa ou seu marido se mostram com razão preocupados e aflitos ao perceberem que você está admirando uma bela pessoa que passa, saiba que seu bolso também se mostrará fortemente inquieto e desconfortável caso você esteja admirando aqueles lindos e coloridos anúncios de compre isto e adquira aquilo.
Resumindo, para quem quer se afundar em tormentos de dívidas e mergulhar em profundo desassossego financeiro, comprar aquilo o de que realmente não se necessita é o melhor caminho. Mas para quem sabe resistir ao sedutor apelo da propaganda, certamente seu travesseiro lhe será mais macio e seu coração deixará de acelerar pelas angústias do endividamento.
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